
Tem vezes que não dá a mínima vontade de escrever no blog, principalmente quando o assunto é doença.
Minha pequenita teve seu primeiro grande mal estar, uma febre que começou no sábado, embalou na madrugada com 39.4 º, não acreditei quando Lucia me acordou com essa notícia, quis medir novamente, mas gatinha foi direta, e disse, traga a compressa, com pressa, para a guria não cozinhar. Peguei um pano, enchi uma vasilha com água fria, coloquei o primeiro pano molhado em sua sua testinha com a finalidade de diminuir a febre, isso aliado a muito amor, um banho morno noturno e um anti-térmico, ajudou um pouco, para acordarmos no domingo de páscoa com 38.8º. Mais um banho e 38.1º. Tia Renara liga, está a caminho da nossa casa para o almoço. Eu, gatinha e Alice, enquanto isso damos um pequeno passeio pois sabemos que o melhor antídoto para Alice é a rua. É bom eu ir me acostumando com isso.
Nosso passeio tinha como objetivo, além de alegrar nossa guriazinha, achar um termômetro de têmpora, pois incomoda muito uma criança uma nova possibilidade de brinquedo embaixo do braço por três minutos e não poder brincar com ele e ter que ficar imóvel, é muita crueldade.
Sem sucesso, 4 farmácias da Teodoro Sampaio, e nada.
Voltamos para casa, Renara já estava a nossa porta, subimos, conversamos, rimos, e decidimos encarcar o hospital, para depois almoçarmos tranquilos. Subimos no Renaramóvel, e fomos para o Sabará.
Alice batia palminhas no carro, feliz, ria, alegria que a rua lhe dá.
Chegamos ao destino, entramos na pequena sala do primeiro atenditento, 37.3º é sua temperatura, cinco minutos depois Alice começa a chorar, sem parar, somos atendidos por uma médica chinesa e ela não para. Nervosismo, tensão, choro incontrolado, a médica Shu Yi Yi, cogita ser uma simples gripe, mas sem sinais de tosse, espirro e a coriza sendo consequencia do choro, a médica nos convence ser melhor fazermos todos exames, para descartarmos qualquer possibilidade e descobrirmos outras.
Começa o calvário de Alice, o primeiro. Cinco horas dentro de um hospital, raio X, sangue, exame de urina, punção liquórica. Nessa ordem, o raio x é triste, horrível, ter que segurar a guriazinha linda, para duas chapas que parecem demorar uma eternidade. Eu quase chorando, vou para a sala do exame de sangue, com uma cara de pavor, que faz o laboratorista senhor Wilson depois de dar as instruções sobre no que consiste o exame e dizer que quem não é forte é melhor sair, olha para mim que estou com o olho arregalado e diz..
– Entendeu pai...Tudo bem?
– Sim, sim...
Lucia é quem segura dessa vez, eu fico na sala olhando, com os olhos ainda mais arregalados.
Exame de urina, na mesma sala do senhor Wilson, Lillian coloca o primeiro dos quatro coletores de urina. Nesse momento ligo para Cacá o pediatra rezando para que ele atenda pois a hora do exame de punção liquórica se aproxima. Ele não atende, e chega a hora que vamos para uma salinha isolada para esperarmos o exame. Depois de algumas horas de sofrimento, espera, chega o médico que não me recordo o nome, me explica tudo sobre o exame e diz que como a sala é pequena apenas o pai ou a mãe podem ficar. Lucia tinha ido até a sala 25 trocar o coletor de Alice.
Quando elas retornam, eu olho pro médico, vamos para a sala 31, ele pergunta se já temos a decisão de quem poderá ficar, Lucia indaga se os dois podem ficar, mas ele já tinha sido bem claro, só um pode ficar, gatinha me olha e na hora já entendo.
Pois bem, fico na sala apertada, e meu coração está do mesmo jeito, entra a enfermeira Alesandra, ela é quem vai segurar a Alice. Faço de tudo converso, canto, imito o porco que Alice gosta, mas o choro e o sofrimento me desconcentram. O que parecia eterno, acaba, pelo menos aqui eu posso deixar mais curto.
Mas ainda faltava o exame de urina, Alice não faz, e estamos presos ao hospital. Chega a enfermeira querendo usar a sonda. Pedimos um tempo, faz pouco que ela colocou o terceiro coletor, elas tentam nos convencer, pedimos mais um tempinho, ela já sofreu demais. Alessandra concorda. Em vão, entra a enfermeira chefe e diz:
– Mas eu já abri todo o material mãe.
– Tudo bem, nós vamos, mas eu não pedi pra tu abrir o material.
Responde furioso o pai.
Colocam a sonda e descobrem o que já sabiámos, a bexiga de Alice está vazia.
O último coletor é colocado, eu eu entôo o mantra,
– Sai daí xixi, pra gente sair daqui...
E ele sai...
Enfermeira Lillian diz que vai fazer um milagre com o pouco de xixi que saiu...
Meu telefone toca é Cacá, me pergunta sobre os exames, digo que todos foram feitos, silêncio o telfone. Digo que só estressamos a pequenita e ele diz que ela também nos estressou um pouco, procurando me consolar. Então ele pede que eu passe o telefone para a atendente. Pede a ela que entregue meu telefone para o médico responsável. Passo para o argentino Fernando, que não sei o que escuta, mas é obrigado a liberar todos nós. Sem perder muito tempo, saímos do hospital, a caminho de casa mais duas farmácias. Na segunda e última achamos o termometrô de tempora, agora só chegar em casa.
O domingo acaba e depois de um dia difícil, de sentir no choro e nos olhos de nossa filha toda verdade e confiança que ela tem na gente, mesmo num momento tão difícil e sofrido, o que fica é a imagem de uma boa noite de sono na nossa casa, na nossa cama.

0 comentários:
Postar um comentário