sábado, 6 de março de 2010

>> um babá mais que perfeito.



Muitos podem perguntar, quem é aquele moço de barba que sempre aparece circulando minha casa sem ser meu pai.
Aquele que tem uma pinta de Raul Seixas, sem ser meu pai. O nome desse tio é Régis.
O babá.
Um babá homem?
Essa deve ser a tua pergunta nesse momento. Pois é, mas como diria Chaplin, "Tempos Modernos".
Régis é um artista plástico, ou visual, de formação, mas como diz uma grande amiga da familia, Simone Esmanhotto, o Régis entende de coisas vivas. Bom com plantas, bichos e com o seu sobrinho Pedro.
Começou assim, após uma única entrevista e a dificuldade de achar alguém para cuidar de uma criança complicada como eu, pequena ironia, minha mãe tem a idéia, brilhante como a maioria delas, de chama-lo para ser o meu babá.
A gente estava no banho, na hora vi a cara meio de susto do meu pai.
Lembro de suas palavras...
Ele disse...
– Marvin, agora é só você...
Não, não...Foi
– Bah gatinha, acho que a gente pode desvirtuar  ele do seu caminho. O cara é artista plástico, formado, deve ter vindo pra São Paulo pra trabalhar com isso. E outra, tu é mãe, mulher, tem a relação do peito, e eu? Eu, bah, vou ter que trabalhar dobrado...
Mas não sei de onde minha mãe tira tantos argumentos, ela em 99,9% das vezes consegue convencer o meu pai, nos outros 00,1% é porque ainda não falou com ele.
Meu pai no outro dia receberia o Régis em casa, pois ele tinha chamado ele para outro trabalho, fazer backups, isto é, gravar os arquivos de foto do pai que ele teima em não tirar do computador em dvd's, pois senão falta espaço na máquina para colocar as minhas.
Enquanto Régis não chega vamos levantar a ficha do rapaz.
Esse gaúcho, macho, não é porque o cara é babá que tu vai pensar o contrário, nasceu em Nhu Porã, um município de São Borja, terra de Getúlio vargas e Jango, informação para meus leitores não gaúchos. Foi estudar em Santa Maria, lá morava num apartamento em cima da segunda casa do meu pai, que segundo meu vô Renato foi por um bom tempo a primeira, pois bem, estudou na UFSM, meu pai e ele não se conheceram nessa instituição, mas sim nos churrascos que meu pai patrocina, a bem da verdade quem patrocina são meus avós, Renato, Paulo e Baia.
Régis veio em 2008 morar em São Paulo, arrumou um emprego, foi explorado, fez assistências de fotografia para o meu pai, continuou sendo explorado, mas certa vez meu pai esperava ele em casa para fazer uma proposta que iria mudar nossas vidas.
Toca o interfone, o garoto de Nhu Porã é anunciado, entra, meu pai dá as instruções sobre o trabalho, e pergunta como está a sua corrida por emprego. Régis responde:
– Bah, vai meio mal, só consigo 6x1?
– 6x1, o que é isso?
– Eu trabalho 6 dias e folgo um.
– Bah, free lancer não entende essas coisas. Mas então Régis, tu quer um emprego 5x2?
– Opa, quero.
– Bueno velho, eu e gatinha conversamos ontem, e ela teve a idéia de tu ser o babá da Alice, achamos que é um jeito de tu ficar mais próximo do teu sobrinho. E sabemos que tu vai acrescentar muito pra ela. Vai ser um pacotão, tu cuida da Alice, é o principal, mas me ajuda com a gravação das fotos, a montar e desmontar o estúdio, dar umas voltas com a baba quando não posso, fazer um rango...
Mãe entra no assunto e diz...
–É, e não seria uma pessoa qualquer, que em qualquer choro ligaria a televisão e deixaria a guria lá. E tu é nosso amigo.
– Cara, só tenho a agradecer a confiança que vocês estão depositando em mim, fico honrado, e topo velho, bah, muito obrigado.
Fechado o acordo de cavalheiros e dama, Régis acerta o seu começo para o dia 1º de setembro.
Desse dia em diante ele se tornou uma das pessoas mais importantes da minha vida e da vida dos meus pais. Um amigo fiel, um irmão camarada, um tio muito querido, que me ensina muito, tem um carinho e dedicação que surpreenderam até a minha avó.
Quando dizem que o trabalho do Régis é fácil, meu pai retruca...
– Cuidar da Alice é fácil, mas me limpar e cuidar da baba é que é o desafio.
Outra vez perguntaram para o meu pai se ele não tinha medo de ter um homem cuidando da filha dele. meu pai responde...
– Tenho, tenho medo que minha filha diga Régis antes de dizer pai...

1 comentários:

Régis disse...

Me sinto honrado e sinceramente emocionado pelo conteúdo desse texto!!.
O mesmo sentimento tenho com essa família, muito obrigado por todo respeito e consideração!.

Um grande abraço para os teus pais, e um cheirinho em ti "cabelo de fogo".

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