
Mais um táxi para voltar, mas no caminho para este, meu pai andava comigo, fazendo um cavalinho para me distrair, ele acha que a reação é imediata...
Nesse dia colocou uma certa carga para mim.
– Filha tu é muito corajosa, um exemplo. O pai que todo dia se orgulha de ti, hoje ficou impressionado. Tu quase nem chorou, eu estava lá só te segurando e chorando e tu valente, encarou as agulhas sem medo. Quando o pai precisar ir no hospital tu vai junto? Tu segura minha mão?
Bom, terei que ajuda-lo, afinal é meu pai...e sempre me acorda rindo, e me faz rir junto o que é melhor, mesmo não gostando de acordar cedo. Mas segundo ele, não gostava, agora vale a pena.
Caminhamos um pouco, mãe falava ao telefone, e pai e tia Jã superavam o terror que passamos juntos, dentro to táxi, tia Jã que teve que ficar de fora da sala da vacina, confessou que me ouvia chorando, e que estava chorando junto.
A mãe que diferente do meu pai e consegue fazer várias coisas ao mesmo tempo, chama o táxi, fala no telefone e orienta meu pai a entrar no carro de praça. Meu pai entra no banco da frente e lá onde ele normalmente discute política e futebol, pergunta sobre o tempo, a familia e a complexidade do trânsito paulistano, esta quieto, assustado, meio culpado pelas 3 picadas.
O carro começa a andar, alguns metros, e eu durmo.

Chegamos. Régis, ainda em casa, cevamos um mate, gatinha põe Alice no berço, e volta ao trabalho. Mateamos, eu, Régis e Jã. Conto como foi o dia para o babá de Alice e as novas recomendações do pediatra Cacá. Mais mate, conversa e vovó sentada, me refiro ao salgadinho não a vó Baia.
Alice acorda.
É, e acordo bem, sinto as pernas um pouco doloridas, pois me picaram a coxa direita e também na esquerda, e no braço direito, e aquelas gotinhas não são lá tão saborosas...
No entanto, acordo rindo.
Régis fica impressionado com meu bom humor, brinca que essa deve ser a reação da vacina em mim.
Ele segue para o metrô, terminado o expediente, mas solicito como sempre se oferece para ajudar, meu pai e minha mãe no que precisarem.
Minha mãe chega logo após. Mamo, tomo banho, e elas, tão temidas e não mais esperadas, chegam. As reações começam misturadas com a fome que habitualmente tenho quando saio do banho, sono, mas agora tudo isso é acompanhado da dor.
lembro de meu pai correr, ligar o som e colocar a trilha do filme Pequena Miss Sunshine para tocar, mãe me balança dando o peito, mas tudo dói, se minhas coxas não fossem tão grandes quem sabe a dor seria menor. Não consigo relaxar, com isso não mamo, não durmo, só dói.
Zonza me sinto saindo de um braço ao outro, olho e de repente estou no colo do meu pai, e ele começa sua oração, dançando a trilha, embalando meu sono, pede que toda a dor e febre vão pra ele.
Demoro para dormir, a trilha não ajuda, então chega o ruído branco, uns barulhos, como batida de coração, água corrente, rádio fora de sintonia. Este deu mais certo, ou não sei se o foi meu cansaço.
Apaguei.
Fiquei acordado do lado de Alice, consegui notar algo que não queria, a diferenciar um choro de dor, agachado perto do berço, ela as vezes acordava, chorava, voltava dormir. Eu ainda rezava, Buda, Jesus, quem me ouvisse e aceitasse a minha oferta de troca. Reações para o pai, dor, febre, tudo que desse nela, imediatamente sumisse e viesse para mim.
Dormia, chorava, estava cansada, sem forças para abrir os olhos, dormia chorando, eu chorando bem acordado.
Saímos com as cachorras, Natalina e Baba, voltamos, gatinha está tentando nanar Alice, que acorda de novo, ela adormece, colocamos no berço, eu monto guarda de novo. De repente, o sono vence Alice e ela descansa, eu decido dormir, se ela precisar de mim durante a noite, acordarei e darei todo plantão necessário.
Algumas poucas acordadas durante a noite, aquelas de sempre, para mamar um pouquinho, esse plantão é dado pela gatinha, Alice não dorme mais no berço, dorme entre eu e Lucia. Mas aproximadamente as 05:30h, surpresa, minhas preces foram atendidas, não sinto febre nem dores nas pernas e braço direito, os anjos foram mais companheiros e Alice está no meio da cama rindo, dando gritinhos de alegria e eu e gatinha rimos juntos, e damos um novo apelido para a pequenita, Nenê Maravilha.
Gatinha me pergunta...
– Era esse o plantão que esperava.
Respondo rindo e muito contente que não.

Gatinha adormece, Alice Nenê Maravillha ainda ri, grita, faz festa. Aos poucos vai coçando o olho, boceja, eu pego ela no colo, do jeito que sempre nano ela, então ela chora e chora muito, provavelmente eu toquei no braço, forcei suas perninhas, ela continua chorando, coloco ela na cama de novo, fico acariciando neu narizinho, passando o dedo na sua sobrancelha e o sono chega de novo. Dorme tranquila, eu fico ainda uns dez minutos olhando, fazendo cafuné...
Viro de lado, durmo, espero anciosamente pelo meu plantão oficial a manhã. Alice as vezes acorda as 7:00, outras as 8:00 e muitas vezes ela deixa o pai descansar um pouquinho mais as 9:00h.
Boa noite gatinha, boa noite baba, boa noite Alice Maravilha, até daqui a pouco.
0 comentários:
Postar um comentário