terça-feira, 2 de março de 2010

>> diários de agulha, segunda parte, em casa que acontecem as reações.



Mais um táxi para voltar, mas no caminho para este, meu pai andava comigo, fazendo um cavalinho para me distrair, ele acha que a reação é imediata...
Nesse dia colocou uma certa carga para mim.
– Filha tu é muito corajosa, um exemplo. O pai que todo dia se orgulha de ti, hoje ficou impressionado. Tu quase nem chorou, eu estava lá só te segurando e chorando e tu valente, encarou as agulhas sem medo. Quando o pai precisar ir no hospital tu vai junto? Tu segura minha mão?

Bom, terei que ajuda-lo, afinal é meu pai...e sempre me acorda rindo, e me faz rir junto o que é melhor, mesmo não gostando de acordar cedo. Mas segundo ele, não gostava, agora vale a pena.
Caminhamos um pouco, mãe falava ao telefone, e pai e tia Jã superavam o terror que passamos juntos, dentro to táxi, tia Jã que teve que ficar de fora da sala da vacina, confessou que me ouvia chorando, e que estava chorando junto.
A mãe que diferente do meu pai e consegue fazer várias coisas ao mesmo tempo, chama o táxi, fala no telefone e orienta meu pai a entrar no carro de praça. Meu pai entra no banco da frente e lá onde ele normalmente discute política e futebol, pergunta sobre o tempo, a familia e  a complexidade do trânsito paulistano, esta quieto, assustado, meio culpado pelas 3 picadas.
O carro começa a andar,  alguns metros, e eu durmo.



Chegamos. Régis, ainda em casa, cevamos um mate, gatinha põe Alice no berço, e volta ao trabalho. Mateamos, eu, Régis e Jã. Conto como foi o dia para o babá de Alice e as novas recomendações do pediatra Cacá. Mais mate, conversa e vovó sentada, me refiro ao salgadinho não a vó Baia.
Alice acorda.

É, e acordo bem, sinto as pernas um pouco doloridas, pois me picaram a coxa direita e também na esquerda, e no braço direito, e aquelas gotinhas não são lá tão saborosas...
No entanto, acordo rindo.
Régis fica impressionado com meu bom humor, brinca que essa deve ser a reação da vacina em mim.
Ele segue para o metrô, terminado o expediente, mas solicito como sempre se oferece para ajudar, meu pai e minha mãe no que precisarem.

Minha mãe chega logo após. Mamo, tomo banho, e elas, tão temidas e não mais esperadas, chegam. As reações começam misturadas com a fome que habitualmente tenho quando saio do banho, sono, mas agora tudo isso é acompanhado da dor.
lembro de meu pai correr, ligar o som e colocar a trilha do filme Pequena Miss Sunshine para tocar, mãe me balança dando o peito, mas tudo dói, se minhas coxas não fossem tão grandes quem sabe a dor seria menor. Não consigo relaxar, com isso não mamo, não durmo, só dói.

Zonza me sinto saindo de um braço ao outro, olho e de repente estou no colo do meu pai, e ele começa sua oração, dançando a trilha, embalando meu sono, pede que toda a dor e febre vão pra ele.
Demoro para dormir, a trilha não ajuda, então chega o ruído branco, uns barulhos, como batida de coração, água corrente, rádio fora de sintonia. Este deu mais certo, ou não sei se o foi meu cansaço.
Apaguei.

Fiquei acordado do lado de Alice, consegui notar algo que não queria, a diferenciar um choro de dor, agachado perto do berço, ela as vezes acordava, chorava, voltava dormir. Eu ainda rezava, Buda, Jesus, quem me ouvisse e aceitasse a minha oferta de troca. Reações para o pai, dor, febre, tudo que desse nela, imediatamente sumisse e viesse para mim.
Dormia, chorava, estava cansada, sem forças para abrir os olhos, dormia chorando, eu chorando bem acordado.
Saímos com as cachorras, Natalina e Baba, voltamos, gatinha está tentando nanar Alice, que acorda de novo, ela adormece, colocamos no berço, eu monto guarda de novo. De repente, o sono vence Alice e ela descansa, eu decido dormir, se ela precisar de mim durante a noite, acordarei e darei todo plantão necessário.
Algumas poucas acordadas durante a noite, aquelas de sempre, para mamar um pouquinho, esse plantão é dado pela gatinha, Alice não dorme mais no berço, dorme entre eu e Lucia. Mas aproximadamente as 05:30h, surpresa, minhas preces foram atendidas, não sinto febre nem dores nas pernas e braço direito, os anjos foram mais companheiros e Alice está no meio da cama rindo, dando gritinhos de alegria e eu e gatinha rimos juntos, e damos um novo apelido para a pequenita, Nenê Maravilha.
Gatinha me pergunta...
– Era esse o plantão que esperava.
Respondo rindo e muito contente que não.



Gatinha adormece, Alice Nenê Maravillha ainda ri, grita, faz festa. Aos poucos vai coçando o olho, boceja, eu pego ela no colo, do jeito que sempre nano ela, então ela chora e chora muito, provavelmente eu toquei no braço, forcei suas perninhas, ela continua chorando, coloco ela na cama de novo, fico acariciando neu narizinho, passando o dedo na sua sobrancelha e o sono chega de novo. Dorme tranquila, eu fico ainda uns dez minutos olhando, fazendo cafuné...
Viro de lado, durmo, espero anciosamente pelo meu plantão oficial a manhã. Alice as vezes acorda as 7:00, outras as 8:00 e muitas vezes ela deixa o pai descansar um pouquinho mais as 9:00h.
Boa noite gatinha, boa noite baba, boa noite Alice Maravilha, até daqui a pouco.

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